Quem É Você Quando Ninguém Está Olhando? Descubra como desenvolver autoconfiança e viver de forma mais autêntica.
- Mari Armani
- 15 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 6 dias

Você já se pegou olhando para o espelho e pensando: “Será que estou sendo realmente eu mesmo?” ou “Por que sinto tanta dúvida sobre minhas escolhas?” Essas inquietações não são apenas pensamentos passageiros; elas tocam duas dimensões essenciais da vida: autenticidade e autoconfiança.
A psicanálise nos ajuda a enxergar essas experiências de forma profunda e surpreendentemente simples. Freud, Winnicott e André Green nos oferecem lentes diferentes, mas complementares, para entender por que às vezes nos sentimos inseguros ou desconectados de nós mesmos, e como podemos reconectar-nos à nossa força interna.
Para Freud, a autoconfiança começa dentro de nós, com o que ele chamou de narcisismo primário, o investimento emocional que cada pessoa faz em si mesma desde o início da vida. É essa energia que nos faz sentir: “Eu existo e posso agir no mundo”. Mas, ao longo do crescimento, passamos a carregar vozes internas exigentes, o Ideal do Eu, que muitas vezes nos cobra perfeição. Imagine uma jovem profissional que evita se candidatar a uma promoção por acreditar que nunca será boa o suficiente. Freud explicaria que seu ego está sendo controlado pelo supereu, e que a autoconfiança se perde mesmo diante de todas as suas capacidades.
Winnicott acrescenta outra camada importante: a autenticidade não depende apenas de talentos ou conquistas, mas de sentir-se visto e aceito. Ele descreve o self verdadeiro, a parte de nós que é espontânea, criativa, que sente prazer em ser; e o self falso, uma máscara que usamos para sobreviver quando o ambiente não nos acolhe. Pense naquele adolescente que ama desenhar, mas esconde seus desenhos com medo de críticas; ele ainda existe por dentro, mas seu self verdadeiro está sufocado. Quando encontramos espaços seguros, onde podemos ser nós mesmos sem medo de julgamento, a autoconfiança floresce e a vida ganha cores novamente.

André Green nos alerta para outro perigo: a perda de vitalidade da vida psíquica. Ele chama isso de desinvestimento do eu, momentos em que nos sentimos vazios, desligados de nossos desejos e da própria vida. Imagine alguém que passa os dias apenas cumprindo tarefas, sem envolvimento ou emoção. Para Green, a autenticidade e a autoconfiança dependem de reinvestir em si mesmo, redescobrindo pequenas alegrias, paixões e sentido. Cada gesto que nos conecta à vida é um passo de coragem: é permitir que o self verdadeiro respire novamente.
Quando unimos essas perspectivas, percebemos que autenticidade e autoconfiança não são destinos, mas processos contínuos. Freud nos lembra que precisamos investir em nós mesmos e flexibilizar a crítica interna. Winnicott nos mostra que o ambiente importa, que precisamos de segurança e reconhecimento para florescer. Green nos ensina que sem vitalidade emocional, nem o ego seguro nem o self verdadeiro se sustentam.
Ser autêntico e confiante não significa nunca duvidar ou não cometer erros. Significa reconhecer quem somos, com falhas e desejos, e ainda assim continuar vivendo plenamente. É como cultivar um jardim: cada cuidado, cada escolha, cada gesto de amor-próprio ajuda a plantar sementes de confiança e autenticidade, que florescem ao longo da vida.
Você pode começar com passos simples: permitir-se sentir prazer em algo que gosta, aceitar que erros fazem parte do aprendizado, buscar pessoas e ambientes que acolham quem você realmente é, e retomar atividades que tragam alegria. Cada passo é um investimento em si mesmo, uma chance de reconectar-se à sua própria força e vitalidade.
E se sentir que precisa de apoio para dar esses passos com segurança, a psicoterapia pode ser um espaço acolhedor e confiável. Um profissional qualificado ajuda a explorar desejos, medos e conflitos, permitindo que você se reconecte com seu self verdadeiro, desenvolva autoconfiança e viva de forma mais autêntica. Afinal, investir em si mesmo é o caminho mais seguro para descobrir quem você realmente é e o que realmente quer da vida.
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