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Autoconhecimento: o encontro com aquilo que nos habita

  • Foto do escritor: Mari Armani
    Mari Armani
  • 13 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Há perguntas que insistem em nós, mesmo quando tentamos silenciá-las.

Por que isso se repete?

Por que sinto o que sinto, mesmo quando não faz sentido?

A psicanálise nasce justamente desse ponto: da escuta do que não é óbvio, do que fala nas entrelinhas, nos silêncios, nas repetições e nas emoções que não encontram palavras fáceis.

Desde Freud, sabemos que não somos inteiramente conscientes de nós mesmos. Há desejos, memórias e conflitos que atuam em nosso modo de sentir e de nos relacionar sem que possamos controlá-los plenamente. Autoconhecer-se, nesse sentido, não é alcançar respostas rápidas, mas aproximar-se, com cuidado, daquilo que opera em nós de forma inconsciente.

Na experiência clínica, muitas pessoas chegam dizendo:

“Eu sei o que deveria fazer, mas não consigo”

“Não entendo por que me sinto assim”

“Parece que algo em mim sempre volta para o mesmo lugar”

Essas falas revelam um saber que não se organiza apenas pela razão. Freud nos ensinou que o sofrimento psíquico encontra caminhos próprios para se expressar: nos sintomas, nos sonhos, nos lapsos, nas escolhas que se repetem.


Winnicott amplia essa escuta ao mostrar que nem toda dor aparece como conflito. Às vezes, ela se apresenta como vazio, como uma sensação de irrealidade ou de desconexão consigo mesmo. Há quem diga: “Estou vivendo, mas não me sentindo vivo” ou “Não sei exatamente quem sou”. Para Winnicott, quando a vida emocional não encontrou um ambiente suficientemente acolhedor, partes importantes do self ficam à espera de um espaço seguro para existir.

Autoconhecer-se, então, não é apenas compreender, mas sentir. É permitir que algo de mais verdadeiro possa emergir, sem a exigência de estar pronto, resolvido ou coerente o tempo todo.

Antonino Ferro nos lembra que muitas experiências emocionais chegam sem forma: como imagens soltas, sensações corporais, angústias que apertam o peito e não encontram palavras. “É um aperto que não sei explicar”, dizem alguns. O trabalho psicanalítico transforma essas vivências brutas em histórias possíveis, em narrativas que podem ser pensadas, sonhadas e integradas à própria vida.

As repetições também falam. Relações que seguem o mesmo roteiro, dores antigas que retornam em novos contextos, escolhas que conduzem aos mesmos impasses. Longe de serem falhas, essas repetições são tentativas do psiquismo de elaborar o que ainda não foi simbolizado. Conhecer-se é escutar o que insiste, sem julgamento, mas com responsabilidade e cuidado.

A psicanálise não promete eliminar conflitos. Desde Freud, sabemos que o conflito faz parte da condição humana. Somos feitos de ambivalências, desejos contraditórios e afetos que nem sempre se organizam de forma linear. O autoconhecimento não apaga essas tensões, mas amplia nossa capacidade de habitá-las de maneira menos sofrida e mais consciente.

A psicoterapia psicanalítica oferece um espaço de fala e escuta onde esse encontro consigo mesmo pode acontecer. Um espaço ético, sustentado pela relação, no qual cada pessoa pode, no seu tempo, dar sentido à própria história emocional. Não há respostas prontas, mas um percurso construído a partir da singularidade de cada sujeito.

Autoconhecer-se é permitir-se esse encontro: com o que dói, com o que se repete, com o que deseja existir. É um caminho que não precisa, e não deve ser trilhado sozinho.

Quando algo em você pede por escuta, a psicoterapia pode ser o lugar onde isso encontra voz.


Caso queira maiores informações, entre em contato.


 

 
 
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