Bets: quando a aposta deixa de ser jogo e começa o sofrimento
- Mari Armani
- 14 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: há 6 dias
A compulsão em apostas produz impactos profundos na vida psíquica e emocional.
Muitas pessoas que vivenciam essa experiência relatam uma sensação de estranhamento em relação a si mesmas, como se algo interno assumisse o comando de seus atos, apesar do sofrimento envolvido.

Reconhecer essas vivências e dar nome ao que se sente é um passo importante no cuidado de si. Quando o sujeito consegue se aproximar da própria experiência, abre-se a possibilidade de compreensão e mudança.
Quais são as consequências?
Antes da aposta, é comum surgir um estado de tensão interna difícil de sustentar.
“Sinto uma inquietação que não passa. Parece que meu corpo pede o jogo. Fico pensando nisso o tempo todo, mesmo quando estou tentando fazer outras coisas.”
Nesse momento, os pensamentos tornam-se repetitivos e acelerados, e o corpo responde com sinais claros de ansiedade: coração acelerado, respiração curta, mãos suadas. A aposta aparece como uma promessa de alívio.
“Eu digo para mim mesmo que é só mais uma vez. Que dessa vez posso ganhar e resolver tudo.”
Durante a aposta, muitos descrevem uma sensação de desligamento do mundo externo.
“Quando estou jogando, parece que tudo some. Os problemas ficam distantes. É como se eu finalmente conseguisse respirar.”
Esse momento pode ser vivido como excitação intensa ou como um entorpecimento emocional, no qual a angústia é temporariamente silenciada. Há, por vezes, uma sensação de controle, poder ou esperança, mesmo que frágil.
Após o término da aposta, especialmente diante da perda, os afetos mudam de forma abrupta.
“Quando acaba, vem um vazio enorme. Fico com vergonha de mim, pensando por que fiz isso de novo.”
“Prometo que não vou repetir, mas ao mesmo tempo já penso em como recuperar o que perdi.”

Culpa, frustração, tristeza e medo surgem com intensidade. Muitos relatam pensamentos autodepreciativos e a sensação de estarem falhando consigo mesmos e com os outros.
Com o passar do tempo, instala-se um ciclo marcado por esperança e desespero.
“Já não jogo porque gosto. Jogo para tentar parar de me sentir assim.”
A aposta deixa de ser fonte de prazer e passa a funcionar como uma exigência interna. O isolamento emocional aumenta, as relações se fragilizam e o sujeito pode sentir que ninguém realmente compreende o que está vivendo.
“Evito falar sobre isso. Tenho medo de julgamento. Parece que estou sozinho com esse problema.”
Do ponto de vista clínico, são frequentes sintomas de ansiedade, tristeza persistente, alterações no sono, irritabilidade e sensação de vazio. Mesmo reconhecendo os prejuízos, o indivíduo sente dificuldade em interromper o comportamento, o que intensifica a angústia.
Vamos compreender esse funcionamento?
Sigmund Freud descreveu a compulsão à repetição como um movimento inconsciente no qual o sujeito se vê levado a repetir experiências que não trazem prazer, mas que expressam conflitos psíquicos não elaborados. Trata-se de uma tentativa de dar forma, domínio ou sentido a algo que permanece sem representação.
No contexto das apostas, o jogo pode assumir a função de regulador emocional.
“Quando jogo, é como se algo dentro de mim se acalmasse, mesmo sabendo que depois vai piorar.”
A excitação, o risco e a expectativa de ganho funcionam como tentativas de preencher vazios internos, aliviar angústias ou sustentar o ego diante de sentimentos de impotência, insegurança ou desvalorização. A compulsão, nesse sentido, não é uma falha moral, mas a expressão de um sofrimento que busca uma via de descarga.
O que pode ser feito?
Reconhecer a compulsão costuma vir acompanhado de medo, vergonha e ambivalência.
“Parte de mim quer ajuda, mas outra parte tem medo de admitir que perdeu o controle.”
Por isso, é fundamental que esse processo seja vivido com acolhimento e sem julgamento. Buscar ajuda profissional oferece um espaço seguro para falar sobre essas sensações, muitas vezes mantidas em silêncio.
O acompanhamento psicológico permite identificar os gatilhos emocionais que antecedem a aposta e compreender o que se busca, inconscientemente, no ato de jogar. Estabelecer limites externos, reduzir o acesso às apostas e fortalecer vínculos afetivos são estratégias importantes, mas que se tornam mais efetivas quando articuladas ao trabalho psicoterapêutico.
Se precisar de mais detalhes ou orientações, estou aqui para ajudar!
Caso queira maiores informações, entre em contato!


