Ansiedade na vida contemporânea: entender para transformar
- Mari Armani
- 18 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de jan.

Às vezes, sem aviso, uma sensação estranha aparece. O peito aperta, a respiração
muda, o coração acelera. Os pensamentos ficam confusos e correm rápido demais, então um medo intenso surge, quase impossível de ignorar. A mente se ocupa quase exclusivamente tentando entender e buscando uma forma de aliviar. Perguntas chegam:
“O que está acontecendo comigo?”
“E se algo grave estiver ocorrendo?”
“Será ansiedade?”
Vamos então entender o que é a ansiedade na sociedade moderna
A ansiedade é um fenômeno que todos conhecemos, mesmo que de formas diferentes. Às vezes se apresenta como uma leve tensão, outras como um aperto no peito que parece não ter razão. Em tempos de ritmo acelerado, incertezas sociais e pressão constante por desempenho, ela se tornou uma experiência quase cotidiana: segundo dados recentes, mais de 4% da população mundial convive com transtornos de ansiedade, e no Brasil mais de 26% das pessoas já receberam diagnóstico. O fenômeno é ainda mais frequente entre mulheres e jovens, mostrando que, além de biológico, o sofrimento está profundamente ligado ao contexto social e relacional.
No consultório, essa realidade se reflete em relatos como:
“Sinto um aperto no peito o tempo todo, mas não sei de onde vem. É como se algo estivesse sempre prestes a dar errado.”
Para a psicanálise, essa sensação não é apenas um excesso de estresse: é um sinal do inconsciente, uma mensagem indicando que algo precisa ser compreendido. Freud (1926) dizia que “a ansiedade é um sinal de perigo produzido pelo Eu e destinado a mobilizar os mecanismos de defesa”. Ou seja, antes de tratar a ansiedade apenas como problema a ser eliminado, é preciso escutá-la.
Karen Horney, por sua vez, mostra que a ansiedade muitas vezes nasce de experiências precárias de cuidado e relações afetivas inseguras. Ela descreve estratégias neuróticas que usamos para lidar com essa angústia: submissão, hostilidade ou afastamento. A expressão desse tipo de experiência, podemos ver na fala:
“Tenho medo de que ninguém me queira de verdade. Sempre sinto que preciso agradar todo mundo para não ser rejeitada.”
Aqui, percebemos que a ansiedade também é um reflexo da maneira como nos conectamos com os outros. Reduzi-la apenas a um distúrbio químico significa ignorar o que ela está nos mostrando sobre nossas relações e escolhas.
Erich Fromm amplia ainda mais o quadro, destacando a dimensão social da ansiedade. A liberdade moderna, com suas responsabilidades e possibilidades infinitas, gera um tipo de medo que não existia em sociedades mais restritivas:
“A ansiedade é inseparável da condição humana; o homem moderno é consciente de sua liberdade, mas teme a responsabilidade que ela implica” (Fromm, 1941).
A expressão dessa sensação:
“Não sei o que quero da vida, mas sinto que preciso decidir tudo agora. É paralisante.”
Muitas vezes, a sociedade oferece como solução remédios que aliviam os sintomas de forma imediata. Eles podem ser úteis, mas não substituem a compreensão do que a ansiedade revela sobre o sujeito e seu contexto. Como descreve bem essa experiência:
“Às vezes sinto um vazio enorme, mesmo cercado de pessoas. Tomo os remédios, mas a sensação continua. É como se nada realmente me preenchesse.”

A psicanálise propõe ouvir a ansiedade, transformá-la em palavra e compreensão, e não apenas silenciá-la. Cada aperto no peito, cada inquietação, carrega pistas sobre desejos, medos, relações e escolhas que precisam ser elaborados.
Olhar a ansiedade sob o prisma de Freud, Horney e Fromm permite uma compreensão rica e multifacetada: Freud nos lembra da escuta do sintoma e do conflito interno; Horney evidencia a dimensão relacional; Fromm coloca o sujeito no contexto histórico e social da modernidade.
Transformar a ansiedade em aliado significa permitir que ela seja interpretada, compreendida e integrada à vida, abrindo espaço para escolhas mais conscientes e relacionamentos mais saudáveis. Pergunte a si mesmo: quais situações do seu dia despertam ansiedade? O que essa sensação pode estar sinalizando sobre sua vida, suas relações ou suas escolhas?
A ansiedade, quando olhada com atenção e cuidado, deixa de ser apenas um problema a ser resolvido e se torna uma ferramenta de autoconhecimento e crescimento, oferecendo pistas sobre como viver de forma mais autêntica e conectada consigo mesmo.
Caso queira maiores informações, entre em contato e agende sua sessão.



