Amar sem se perder de si
- Mari Armani
- 7 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 6 dias
Ansiamos por relacionamentos amorosos. Somos, muitas vezes, cobrados por nos relacionarmos, como se o amor romântico fosse a grande tábua de salvação diante do naufrágio da existência.

Mas será que é mesmo?
Um dos maiores estudos já realizados sobre felicidade, conduzido pela Universidade de Harvard, aponta que a qualidade dos nossos relacionamentos é um dos principais indicadores de felicidade e saúde ao longo da vida. Isso nos revela algo importante: os relacionamentos importam, sim, mas somente quando há qualidade.
Relacionar-se pode ser um grande acalento. Somos seres essencialmente sociais; o encontro com o outro nos atravessa, nos constitui, nos alimenta. Ainda assim, cabe a pergunta: a que preço temos mantido algumas relações?
Aceitar tudo? Engolir tudo? Silenciar a si mesmo para não perder o outro vale a pena?
Frequentemente nos iludimos acreditando que ceder excessivamente é a forma de manter um vínculo. No entanto, esse movimento, muitas vezes, inaugura não a proximidade, mas um afastamento profundo, se não do outro, de nós mesmos.
E então surge a pergunta tão comum: “Por que sempre escolho as mesmas pessoas?” Ou, em termos populares, o temido “dedo podre”.
Costuma-se dizer: “Para atrair borboletas, cultive o seu jardim.”
Mas talvez não se trate apenas de cultivo externo. Trata-se, sobretudo, de reconhecimento interno.
Saber quem se é, em que momento da vida se está, o que se deseja e, principalmente, permitir-se desejar não é algo simples. Muitas vezes, boicotamos nossos próprios desejos, negamos aquilo que pulsa, por medo, culpa ou repetição de padrões inconscientes.

Freud nos apresenta a ideia do inconsciente, e por meio da metáfora do iceberg: vemos apenas a ponta, aquilo que está à superfície da consciência. No entanto, é a parte submersa que sustenta toda a estrutura. Somos movidos por ela. Por isso, tantas vezes nos perguntamos: “Por que agi assim? Por que disse isso?” A resposta, nem sempre, está no que sabemos, mas no que nos habita.
Quando não nos colocamos a escutar esse lugar subterrâneo em nós, seguimos no automático, sendo levados por repetições que não compreendemos. E isso se reflete em nossas relações amorosas, profissionais, familiares e nas amizades.
Cuidar de si, conhecer-se e responsabilizar-se por quem se é permite buscar aquilo que realmente faz sentido. Permite relacionar-se com mais verdade, presença e inteireza.
Como nos lembra o poema atribuído a Charles Chaplin sobre o amor-próprio: "Quando me amei de verdade, compreendi que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar."
Quando nos amamos!
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