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Maternidade, saúde mental e subjetividade

  • Foto do escritor: Mari Armani
    Mari Armani
  • 4 de mai.
  • 2 min de leitura

A maternidade, à luz da psicanálise, é compreendida como uma experiência subjetiva complexa, que ultrapassa os cuidados práticos com o filho e mobiliza profundamente a vida psíquica da mulher. Tornar-se mãe implica uma reorganização interna marcada por desejos, fantasias, angústias e identificações que, muitas vezes, operam de forma inconsciente. Nesse processo, a saúde mental materna ocupa um lugar central, pois o ideal social de uma maternidade plena e sem falhas tende a produzir sentimentos de culpa, exaustão e insuficiência.

O sofrimento psíquico materno não deve ser entendido como fragilidade individual, mas como efeito de exigências internas e externas difíceis de sustentar. A mãe é constantemente convocada a responder às necessidades do filho, ao mesmo tempo em que precisa manter vínculos conjugais, familiares e profissionais. A chegada de uma criança redefine os lugares na família e nos relacionamentos, trazendo à tona conflitos, expectativas e repetições da própria história infantil da mãe.

A relação com o tempo e a organização cotidiana também sofre um impacto significativo. O tempo da maternidade não obedece à lógica produtiva, mas ao ritmo psíquico da criança, marcado pela dependência e pela imprevisibilidade. A tentativa de controle absoluto da rotina pode intensificar a angústia materna. A psicanálise propõe a possibilidade de sustentar limites e reconhecer a falta como estruturante, permitindo à mãe ocupar um lugar humano, e não idealizado.

As preocupações com o futuro dos filhos, por sua vez, costumam expressar o desejo de proteção e segurança, mas também revelam a angústia diante do incontrolável. O filho é um sujeito em constituição, com uma trajetória própria, e não um prolongamento narcísico dos pais. Quando a mãe consegue renunciar ao ideal de perfeição, cria condições psíquicas para que a criança desenvolva autonomia, desejo e singularidade.

Nesse sentido, cuidar da saúde mental da mãe é fundamental para a

construção de vínculos suficientemente bons. A psicanálise nos ensina que não é a perfeição que sustenta o desenvolvimento infantil, mas a presença possível, falha e real. A escuta clínica oferece à mãe um espaço de elaboração de suas angústias, favorecendo um modo mais saudável de viver a maternidade e os laços que dela se desdobram.

 



 
 

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