Maternidade em doses de humanidade
- Mari Armani
- 18 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: há 5 dias

A maternidade é um momento lindo, onde o desejo se realiza e o sonho se torna real!
Mas também precisamos pensar que os sonhos nos exigem muito para serem realizados, o próprio ditado já diz: “ser mãe é padecer no paraíso”
A maternidade não é um conceito fixo, ela muda, respira, se transforma com o tempo e com as histórias de cada mulher. Ainda assim, muitas vezes é apresentada como um ideal inalcançável: uma mãe perfeita, que tudo sabe, tudo suporta, tudo oferece na medida exata, sem falhas ou cansaço. Esse ideal pesa, aprisiona e silencia, afastando a mãe de si mesma.
Essa ideia me faz lembrar Jung, quando diz: “Ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana. ”Talvez seja disso que a maternidade precise: menos manuais e mais humanidade. Menos receitas prontas e mais presença. Estar com o filho não como quem executa uma função, mas como quem se permite encontrar, olhar, escutar, sentir, errar e aprender juntos.
É nesse encontro vivo que nasce o que Winnicott chamou de “mãe suficientemente boa”. Não a mãe perfeita, mas a mãe possível. Aquela que, afinada com seu filho, oferece o que pode, no tempo e no ritmo da relação. Uma mãe que falha, sim e ao falhar, ensina. Ensina sobre limites, frustrações, reparos e sobre a beleza imperfeita dos vínculos humanos.

Sobre a mãe recai uma cobrança silenciosa e constante, como se não houvesse espaço para que ela também fosse mulher. Como se seus desejos precisassem ser adiados indefinidamente. Esse apagamento cansa o corpo, pesa na alma e muitas vezes adoece. A maternidade não foi feita para ser vivida sozinha; ela pede colo, rede, apoio e partilha para a criança e para quem cuida.
Ser uma boa mãe começa, talvez, por se permitir existir inteira. Olhar para si com gentileza, reconhecer suas necessidades, seus limites, seus sonhos ainda vivos. Porque só é possível oferecer aquilo que se tem. E quando tudo está exaurido, o que transborda são medos, tensões, tristezas e a dolorosa sensação de não ser suficiente.
Cuidar de si, então, não é um desvio do caminho da maternidade. É parte dele. É nesse gesto de cuidado consigo que a mãe se humaniza e, ao se humanizar, ensina seu filho sobre amor, presença e verdade.
Poder se olhar e se reconhecer é necessário.
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