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Cuidado, ausência e os rastros que ficam: Tipos de mãe

  • Foto do escritor: Mari Armani
    Mari Armani
  • 20 de abr.
  • 2 min de leitura

Ser mãe é um ato de cuidado e de amor, mas também de limites, frustração e humanidade. A maternidade não é um ideal perfeito; é uma experiência complexa, cheia de desafios, expectativas e erros inevitáveis. Na psicanálise, entendemos que a mãe é mais do que alguém que alimenta ou protege: ela é o primeiro outro, aquele que dá forma ao mundo interno da criança, apresenta limites, prazer, frustração e introduz o contato com a realidade. Cada gesto, cada ausência, cada olhar molda a psique de quem somos.


Para ilustrar, pense na criança que chega da escola orgulhosa de um desenho e encontra apenas distração ou silêncio. A mãe está presente fisicamente, mas emocionalmente distante. Essa ausência deixa marcas silenciosas: o filho aprende que nem sempre será visto, e que suas emoções podem não ser reconhecidas.

Há também mães superprotetoras, que tentam eliminar cada dificuldade do filho. O menino que tropeça ao aprender a andar é imediatamente amparado; a adolescente que erra, logo recebe correção ou intervenção. O cuidado, embora bem-intencionado, limita a autonomia e ensina que enfrentar desafios sozinho é arriscado demais.

Em outro cenário, a mãe narcisista busca na criança validação para si mesma. Cada conquista do filho é um reflexo do orgulho materno; cada falha, uma frustração para ela. A filha aprende a moldar sua vida às expectativas alheias e, muitas vezes, carrega consigo a sensação de nunca ser suficiente.

Existem também mães realmente ausentes: por morte, separação, trabalho ou escolhas de vida, pouco ou quase nunca presentes. Quem cresce nesse cenário sente um vazio profundo, aprende cedo a lidar com a solidão e a própria adaptação emocional.

E há mães ansiosas ou deprimidas, cuja presença física não se traduz em acolhimento. A criança percebe tensão, medo ou tristeza constantes e aprende a cuidar do outro antes de cuidar de si mesma, desenvolvendo sensibilidade, mas também ansiedade e insegurança.

A psicanálise nos ensina que essas experiências não definem a criança como vítima, nem a mãe como culpada. Cada mãe traz sua história, suas dores e seus limites. Reconhecer o impacto dessas experiências é um passo para a compreensão, para colocar palavras no que se viveu e, assim, iniciar a reparação emocional.

Quem cresceu com mães ausentes, difíceis ou exigentes pode sentir medo de se

expor, ansiedade para agradar ou dificuldade em confiar. Mas também pode aprender a criar limites, valorizar a própria autonomia e estabelecer relações mais saudáveis. Cada ferida se torna uma oportunidade de transformação, e cada ausência ou presença imperfeita pode nos ensinar algo sobre nós mesmos.

É importante lembrar que a maternidade, com toda a sua complexidade, molda quem somos, mas não nos determina. Podemos reconhecer e compreender a presença, a ausência, os erros e os cuidados que recebemos, e aprender a construir relações mais genuínas, com nossos filhos, com nossas mães, e principalmente, com nós mesmos. Afinal, a maternidade é uma dança delicada entre cuidado, falha, reparação e amor; e, mesmo quando imperfeita, deixa rastros que podemos transformar em crescimento, autonomia e compaixão.

 

 

 
 

Se algo aí dentro pede sentido…
talvez seja o momento de olhar pra isso com mais cuidado.

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